segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

Segredo...



"Uma das vantagens da Amizade é saber a quem confiar um segredo."
.
. Manzoni, in Bombons Baci

Desafio...

Um desafio que me foi lançado pela Mónica...

Quatro empregos que já tive:
- 16 anos de escola;
- Durante os 16 e os 19 trabalhei nas férias e sábados numa serrelharia;
- 6 anos a cordenar a Produção da empresa (agora como responsável directo)
- 13 anos a Escuteiro (este sim é o meu maior emprego)

Quatro filmes que posso ver vezes sem conta:
- Salsa;
- O diário da N/ paixão;
- Cidade dos Anjos;
- O Caminho da verdade.
(...)

Quatro sítios onde eu já vivi:
(só 4??)
- Maceda (conselho de Ovar);
- Ovar (o melhor Carnaval e o melhor Pão de ló);
- Cucujães (a terra dos 2 cus!)
- Coimbra (sim aquela q tem mais encanto!).

Quatro séries televisivas que eu não perco:
Não sou de ver muito televisão
- Telejornais
- Pretender (tento ver)
- Ficheiros Secretos (tb tento ver)
- ...

Quatro dos meus pratos favoritos:
Todos q sejam bem confecionados p/ mim são bons, a sério!

Quatro websites que visito diariamente:
- O meu blog;
- Os vossos blogs (mesmo que não deeixe comentário);
- Google (pesquisa e e-mail);
- Site CNE (escuteiros).

Quatro sítios onde eu gostava de estar agora:
- onde não estou;
- Paris;
- Rep. Checa;
- Brasil.

Quatro blogueiros a quem lanço este desafio (caso já não o tenham feito):
- Keimadela
- Noa
- Andreia Ramos
- Feeling
- Dalila

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

Amar


Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indeferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar amlguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi para cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Florbela Espanca

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Baden-Powell

Hoje todos os escuteiros celebram o dia de B.P. (Baen-Powell) fundador dos escuteiros.
E a minha singela homenagem a este grande Homem passa pela partilha da sua última carta, a todos vós q me acompanhais. Uma carta que p/ mim é uma oração, um ideal e uma convicção.


"Caros escuteiros:
Se já vistes a peça Peter Pan, haveis de recordar-vos de como o chefe dos piratas estava sempre a fazer o seu discurso de despedida, porque receava que, quando lhe chegasse a hora de morrer, talvez não tivesse tempo para o fazer. Acontece-me coisa muito parecida e por isso, embora não esteja precisamente a morrer, morrerei qualquer dia e quero mandar-vos uma palavra de despedida.
Lembrai-vos de que é a última palavra que vos dirijo, por isso meditai-a.
Passei uma vida felicíssima e desejo que
cada um de vós seja igualmente feliz.
Creio que Deus nos colocou neste mundo encantador para sermos felizes e apreciarmos a vida. A felicidade não vem da riqueza, nem simplesmente do êxito de uma carreira, nem dos prazeres. Um passo para a felicidade é serdes saudáveis e fortes enquanto sois rapazes, para poderdes ser úteis e gozar a vida quando fordes homens.
O estudo da natureza mostrar-vos-à as coisas belas e maravilhosas de que Deus encheu o mundo para vosso deleite. Contentai-vos com o que tendes e tirai dele o maior proveito que puderdes. Vede sempre o lado melhor das coisas e não o pior.
Mas o melhor meio para alcançar a felicidade é contribuir para a felicidade dos outros. Procurai deixar o mundo um pouco melhor de que o encontrastes e quando vos chegar a vez de morrer, podeis morrer felizes sentindo que ao menos não desperdiçastes o tempo e fizestes todo o possível por praticar o bem.
Estai preparados desta maneira para viver e morrer felizes - apegai-vos sempre à vossa promessa escutista - mesmo depois de já não serdes rapazes e Deus vos ajude a proceder assim.
O Vosso Amigo





Para quem quiser saber um pouco mais da sua vida: http://www.cne-escutismo.pt/escutismo/fundador.htm

domingo, 19 de fevereiro de 2006

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

...


Pedem tanto a quem Ama
pedem o Amor
ainda pedem
a solidão e a loucura.

Heberto Helder

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Lua e Estrela

Dedicado à menina do Anel de Lua e Estrela...
.


Menina do anel de lua e estrela
Raios de sol no céu da cidade
Brilho da lua oh oh oh, noite é bem tarde
Penso em você, fico com saudade
.



Manhã chegando
Luzes morrendo, nesse espelho
Que é nossa cidade
Quem é você, oh oh oh qual o seu nome
Conta pra mim, diz como eu te encontro
Mas deixa o destino, deixe ao acaso
Quem sabe eu te encontro
De noite no Baixo
Brilho da lua oh oh oh, noite é bem tarde
Penso em você, fico com saudade...


Grande, Caetano Veloso

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Definir Amigo...


Difícil querer definir amigo...
Amigo é quem te dá um pedacinho do chão, quando é de terra firme que tu precisas, ou um pedacinho do céu, se é o sonho que te faz falta.
Amigo é mais que ombro amigo, é mão estendida, mente aberta, coração pulsante, costas largas. É quem tentou e fez, e não tem o egoísmo de não querer compartilhar o que aprendeu.
É aquele que cede e não espera retorno, porque sabe que o acto de compartilhar um instante qualquer contigo já o realimenta, satisfaz.
É quem já sentiu ou um dia vai sentir o mesmo que tu sentes.
É a compreensão para o teu cansaço e a insatisfação para a tua reticência.
É aquele que entende o teu desejo de voar, de sumir devagar, a angústia pela compreensão dos acontecimentos, a sede pelo "por vir".
É ao mesmo tempo espelho que te reflecte, e óleo derramado sobre suas águas agitadas. É quem fica enfurecido por vero teu erro, querendo tanto o teu bem e saber que a perfeição é utopia.
É o sol que seca as tuas lágrimas, é a polpa que adocica ainda mais o teu sorriso.
Amigo é aquele que toca na tua ferida numa mesa de shoping, acompanha as tuas vitórias, faz piada amenizando problemas. É quem tem medo, dor, náusea, cólica, gozo, igualzinho a ti.
É quem sabe que viver é ter história para contar.
É quem sorri para ti sem motivo aparente, é quem sofre com teu sofrimento, é o padrinho filosófico dos teus filhos.
É o achar daquilo que tu nem sabia que buscas.
Amigo é aquele que te lê em cartas esperadas ou não, pequenos bilhetes em sala de aula, mensagens electrónicas emocionadas.
É aquele que te ouve ao telefone mesmo quando a ligação é caótica, com o mesmo prazer e atenção que teria se tivesse olhando nos teus olhos.
Amigo é multimédia.
Olhos....
Amigo é quem fala e ouve com o olhar, o teu e o dele em sintonia telepática. É aquele que percebe em teus olhos teus desejos, teus disfarces, alegria, medo. É aquele que aguarda pacientemente e se entusiasma quando vê surgir aquele tão esperado brilho no teu olhar, e é quem tem uma palavra sob medida quando estes mesmos olhos estão amplificando tristeza interior. É lua nova, é a estrela mais brilhante, é luz que se renova a cada instante, com múltiplas e inesperadas cores que cabem todas na sua íris.
Amigo é aquele que te diz "eu te amo" sem qualquer medo de má interpretação : amigo é quem te ama "e pronto".
É verdade e razão, sonho e sentimento.
Amigo é para sempre, mesmo que o sempre não exista.

Obrigado Adélia...

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Voa bem mais alto

A vós meus amigos, que sois a gaivota na minha praia sempre q existe tempestade no mar da minha vida, a vós dedico esta canção...
.
.
.

Não fiques na praia
com o barco amarrado
com medo do mar
Tudo aqui é miragem
mas na outra margem
Alguém está esperar

Como a onda que morre
sozinha na praia
não fiques brincando
No mar confiante
Ensina o teu canto
de ave voando

Voa bem mais alto
Livre sem alforge
sem prata nem ouro
amando este mundo
esta vida que é canto
Que esconde um tesouro

Ninguém te ensinou
mas no fundo tu sentes
asas para voar
nem que o céu se tolde
e as nuvens impeçam
tu não vais parar
há gente vivendo
tranquila e contente
como eu já vivi
és águia diferente
céu azul cinzento
foi feito p'ra ti!

Voa bem mais alto
Livre sem alforge
sem prata nem ouro
amando este mundo
esta vida que é canto
Que esconde um tesouro


terça-feira, 24 de janeiro de 2006

Certas Plavras...

Um dia alguém q me disse que:

"Certas palavras não podem ser ditas
em qualquer lugar e hora qualquer.
Estritamente reservadas para companheiros de confiança,
devem ser sacralmente pronunciadas
em tom muito especial lá onde a polícia dos adultos
não adivinha nem alcança."

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

Hoje


Se existe canções bonitas esta é uma delas...

"Hoje eu preciso encontrar-te de qualquer jeito
Nem que seja só pra te levar pra casa
Depois de um dia normal
Olhar teus olhos de promessas fáceis
Beijar-te a boca de um jeito que te faça rir
Hoje eu preciso abraçar-te
Sentir o teu cheiro de roupa limpa
Pra esquecer os meus anseios e dormir em paz
Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua
Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria
Em estar vivo
Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo-te suspirar
Dizendo-te que eu sou causador da tua insônia
Que eu faço tudo errado sempre
Hoje preciso de ti
Com qualquer humor, com qualquer sorriso
Hoje só a tua presença
Vai me deixar feliz
Só hoje..."
Jota Quest

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

Anjo!

Dizem q gostar doi,
Pensar cansa,
E sonhar destroi.
Um dia conheci um Anjo
Que me fez gostar
E sonhar.
Não me cansei,
Não me maguei,
Não me destrui.

Apenas o conheci...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2006

Dividir..


But we shared a moment that will last till the end.

domingo, 8 de janeiro de 2006

Certas palavras


Certas palavras não podem ser ditas
em qualquer lugar e hora qualquer.
Estritamente reservadas
para companheiros de confiança,
devem ser sacralmente pronunciadas
em tom muito especial
lá onde a polícia dos adultos
não adivinha nem alcança.

Entretanto são palavras simples:
definem
partes do corpo, movimentos, actos
do viver que só os grandes se permitem
e a nós é defendido por sentença
dos séculos

E tudo proibido. Então, falamos."
Carlos Drummond de Andrade

sábado, 24 de dezembro de 2005

Natal

Que este NATAL, à imagem daquEle que celebramos neste dia, seja de PAZ e de AMOR!
Que o possamos passar com aqueles de quem mais gostamos e que decorra com SAÚDE!
Que no nosso coração saboreemos um pouco de FELICIDADE!
Que esta ALEGRIA seja contagiante…
… e porque as minhas palavras não serão as mais convicentes, permiti que use as de Miguel Torga:


NATAL
Nasce mais uma vez,
Menino Deus!
Não faltes, que me faltas
Neste Inverno gelado.
Nasce nu e sagrado
No meu poema,
Se não tens um presépio
Mais agasalhado.

Nasce e fica comigo
Secretamente,
Até que eu, infiel, te denuncie
Aos Herodes do mundo.
Até que eu, incapaz
De me calar,
Devasse os versos e destrua a paz
Que agora sinto, só de te sonhar.

terça-feira, 13 de dezembro de 2005

Carta de um filho...

Já lá vão cerca de 15 anos q li esta carta (ainda não está desatualizada, apesar destes anos todos). Hoje leia de modo diferente. Hoje mais do q a ler partilho-a, c/ a esperança de contribuir na permanente construção de um mundo melhor.

Sinto muito, meu pai, que este diálogo seja o último que tenho consigo. Sinto muito…
Sabe pai… está ainda a tempo do senhor saber a verdade, que nunca soube.
Vou ser breve e claro. A «DROGA» matou-me pai.
Travei conhecimento com a minha assassina, aos quinze anos de idade, é horrível, não é pai?...
Sabe como começamos nisso? Através de um senhor elegantemente vestido, que nos apresentou à nossa futura assassina; a «DROGA». Eu tentei, tentei mesmo, recusar, mas o cidadão mexeu com o meu brio, dizendo que eu não era homem.
Ingressei no mundo da «DROGA».
No começo foram as tonturas; depois fantásticos sonhos, a seguir a escuridão. Não fazia nada sem que a droga estivesse presente. Depois foi a falta de ar, o medo, as alucinações, logo após o pico da euforia, novamente.
Eu sentia-me mais gente do que os outros, é a «DROGA», minha inesquecível, sorria.
Sabe, pai, a gente começa com a «DROGA», acha tudo ridículo e engraçado. Até mesmo Deus eu achava ridículo, e hoje, neste hospital, eu reconheço que Deus é o ser mais importante do mundo. Pai, o senhor não pode acreditar, mas a vida de um tóxico é terrível. A gente sente-se dilacerado por dentro. É tão terrível, que todo o jovem deve saber para não entrar nessa. Já não posso dar três passos, sem me cansar. Os médicos dizem que vou ficar bom, curado, mas quando saem do quarto, balançam com a cabeça.
Pai eu só tenho dezanove anos, e sei que não tenho a menor “chance” de viver.
É MUITO TARDE PARA MIM PAI; TENHO UM ÚLTIMO PEDIDO A FAZER-LHE:
- Diga a todos os jovens que o senhor conhece, em cada porta da escola, na faculdade, nas fábricas ou em qualquer outro lugar, que há sempre um homem elegantemente vestido e bem falante que irá mostrar-lhes a futura assassina, as destruidoras das suas vidas. O que os levará à loucura e à morte, como a mim. Perdoa-me por tanto fazer sofrer, pelas minhas loucuras.
(esta carta foi escrita por um estudante viciado em droga, poucas horas antes de morrer)

domingo, 27 de novembro de 2005

Geração (à) Rasca

Já lá vai algum tempo que li o texto q se segue, por me identificar a 100% com ele, achei que seria justo e em certa parte honroso para todos aqueles que como meu pertencemos à "Geração à Rasca"
Vale a pena pensar nisto...

Em conversa com o irmão mais novo de um amigo, cheguei a uma triste conclusão.A juventude de hoje, na faixa que vai até aos 20 anos, está perdida.E está perdida porque não conhece os grandes valores que orientaram os que hoje rondam os trinta.O grande choque, entre outros nessa conversa, foi quando lhe falei no Tom Sawyer.“Quem?”, perguntou ele. Quem?! Ele não sabe quem é o Tom Sawyer! Meu Deus…Como é que ele consegue viver com ele mesmo? A própria música: “Tu que andas sempre descalço, Tom Sawyer, junto ao rio a passear, Tom Sawyer, mil amigos deixarás, aqui e além…” era para ele como o hino senegalês cantado em mandarim.Claro que depois dessa surpresa, ocorreu-me que provavelmente ele não conhece outros ícones da juventude de outrora. O D’Artacão, esse herói canídeo, que estava apaixonado por uma caniche; Sebastien et le Soleil, combatendo os terríveis Olmecs; Galáctica, que acalentava os sonhos dos jovens, com as suas naves triangulares; O Automan, com o seu Lamborghini que dava curvas a noventa graus; O mítico Homem da Atlântida, com o Patrick Duffy e as suas membranas no meio dos dedos; A Super-Mulher, heroína que nos prendia à televisão só para a ver mudar de roupa (era às voltas, lembram-se?); O Barco do Amor, que apesar de agora reposto na Sic Radical, não é a mesma coisa. Naquela altura era actual…; E para acabar a lista, a mais clássica de todas as séries, e que marcou mais gente numa só geração: O Verão Azul.Ora bem, quem não conhece o Verão Azul merece morrer. Quem não chorou com a morte do velho Shanquete, não merece o ar que respira. Quem, meu Deus, não sabe assobiar a música do genérico, não anda cá a fazer nada.Depois há toda uma série de situações pelas quais estes jovens não passaram, o que os torna fracos. Ele nunca subiu a uma árvore! E pior, nunca caiu de uma. É um mole. Ele não viveu a sua infância a sonhar que um dia ia ser duplo de cinema. Ele não se transformava num super-herói quando brincava com os amigos. Ele não fazia guerras de cartuchos, com os canudos que roubávamos nas obras e que depois personalizávamos. Aliás, para ele é inconcebível que se vá a uma obra. Ele nunca roubou chocolates no Pingo-Doce. O Bate-pé para ele é marcar o ritmo de uma canção.Confesso, senti-me velho…Esta juventude de hoje está a crescer à frente de um computador. Tudo bem, por mim estão na boa, mas é que se houver uma situação de perigo real, em que tenham de fugir de algum sítio ou de alguma catástrofe, eles vão ficar à toa, à procura do comando da Playstation e a gritar pela Lara Croft. Óbvio, nunca caíram quando eram mais novos. Nunca fizeram feridas, nunca andaram a fazer corridas de bicicleta uns contra os outros. Hoje, se um miúdo cai, está pelo menos dois dias no hospital, a levar pontos e a fazer exames a possíveis infecções, e depois está dois meses em casa a fazer tratamento a uma doença que lhe descobriram por ter caído. Doenças com nomes tipo “Moleculum infanticus”, que não existiam antigamente. No meu tempo, se um gajo dava um malho (muitas vezes chamado de “terno”) nem via se havia sangue, e se houvesse, não era nada que um bocado de terra espalhada por cima não estancasse. Eu hoje já nem vejo as mães virem à rua buscar os putos pelas orelhas, porque eles estavam a jogar à bola com os ténis novos. Um gajo na altura aprendia a viver com o perigo. Havia uma hipótese real de se entrar na droga, de se engravidar uma miúda com 14 anos, de apanharmos tétano num prego enferrujado, de se ser raptado quando se apanhava boleia para ir para a praia. E sabíamos viver com isso. Não estamos cá? Não somos até a geração que possivelmente atinge objectivos maiores com menos idade? E ainda nos chamavam geração “rasca”… Nós éramos mais a geração “à rasca”, isso sim. Sempre à rasca de dinheiro, sempre à rasca para passar de ano, sempre à rasca para entrar na universidade, sempre à rasca a ver se a namorada estava grávida, sempre à rasca para tirar a carta, para o pai emprestar o carro. Agora não falta nada aos putos. Eu, para ter um mísero Spectrum 48K, tive que pedir à família toda para se juntar e para servir de prenda de anos e Natal, tudo junto. Hoje, ele é Playstation, PC, telemóvel, portátil, Gameboy, tudo. Claro, pede-se a um chavalo de 14 anos para dar uma volta de bicicleta e ele pergunta onde é que se mete a moeda, ou quantos bytes de RAM tem aquela versão da bicicleta.Com tanta protecção que se quis dar à juventude de hoje, só se conseguiu que 8 em cada dez putos sejam cromos. Antes, só havia um cromo por turma. Era o tóto de óculos, que levava porrada de todos, que não podia jogar à bola e que não tinha namoradas. É certo que depois veio a ser líder de algum partido, ou gerente de alguma empresa de computadores, mas não curtiu nada. Hoje, se um puto é normal, ou seja, não tem óculos, nem aparelho nos dentes, as miúdas andam atrás dele, anda de bicicleta e fica na rua até às dez da noite, os outros são proibidos de se dar com ele.Valha-me Deus. “What’s wrong with the world, momma?”

segunda-feira, 21 de novembro de 2005

Saudade.

Sinto saudades do dia em que nunca nos encontramos.
Sim, daquele em que não nos vimos pela primeira vez.
Desse em que nunca te tive.
Daquele em que não falaste o que eu queria ouvir.
De nossa primeira noite que jamais houve, quando deixamos de conhecer-nos biblicamente até o desmaio.
Tenho sede da noite em que nem começamos a beber-nos.
Sinto fome dos momentos em que não estávamos um no outro, devorando-nos gota a gota.
Poderia desenhar nos mínimos detalhes tudo o que não aconteceu.
O amor que não explodiu; o desejo que não cristalizou; todo esse nada que não vivemos tão intensamente separados.
É uma saudade tão grande!...
Uma saudade como se nunca tivesse acontecido.
Como este afago que não te mando, e que ainda assim, nunca o receberás

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

Amo-te Assim

Esperava-te sem saber, pressentia-te sem querer, sempre te amei...
Amo-te assim, com a sensibilidade dos cegos, com a pureza das crianças, com a paixão dos deuses.
Quero ver-te intenso, amar-te na tua canção, fundir nossos corpos num só.
Quero sentir tuas mãos lindas, percorrendo todo o meu corpo, abalando todos os meus sentidos.
Uni-las às minhas mãos num só toque, apertá-las no êxtase do amor.
Quero amar-te com os olhos e deixar que eles falem, tudo o que hoje, minha voz tem que calar.
Quero abandonar-me em teus braços e aninhar-te nos meus.
Amo-te assim...
Amo-te assim, em letras, em palavras, em tons, em imagens e cores.
Amo-te sem o antes, no agora, sem o depois, apenas para mim.
Amo-te assim...
Amo-te assim, de verdade, de corpo, de coração, de alma.
Alma que desnuda, desprende-se do meu corpo e rompendo os limites do espaço e do lógico, num voo suave, leva-me ao teu encontro. Deixando no vento, o rasto do meu amor, para que nele encontres toda a paz de que possas precisar.
Amo-te assim, mesmo longe tu estás, sempre ao teu lado encontrar-me-ás.
Amo-te assim...e o que tenho de ti, ninguém poderá tirar-me. E o que tens de mim, alguém jamais alcançará.
Amo-te assim...com a certeza de que um dia, aqui, ou além do tempo, o céu assistirá ao nosso amor e as estrelas então, lá de cima, como guizos sorrirão...

in Fernanda C. Scialla